CARNAVAL

Órgãos de segurança e PBH apresentam ações para proteção das mulheres

Combate à violência e importunação sexual é prioridade; Prefeitura disponibilizará creche para filhos de ambulantes durante a festa

quinta-feira, 12 Fevereiro, 2026 - 15:15
Vereadores e convidados no Plenário Helvécio Arantes

Foto: Tatiana Francisca/CMBH

BH não irá tolerar violência e importunação sexual contra a mulher e estará preparada para agir caso ela venha a ocorrer. Essa foi a principal mensagem deixada pelos representantes de órgãos de segurança pública e da Prefeitura de Belo Horizonte durante audiência pública que discutiu as políticas de proteção às mulheres durante o Carnaval. Solicitado pela presidente da Comissão de Mulheres, Loíde Gonçalves (MDB), o encontro ocorreu na manhã desta quinta-feira (12/2). Este ano, a capital mineira espera receber um público de cerca de 6 milhões de foliões. A Guarda Civil Municipal deve contar com câmeras de reconhecimento facial e seus 2.483 agentes estarão empenhados nas dez regionais da cidade. A Polícia Militar de Minas Gerais terá seis pontos para registros de ocorrência em diferentes áreas da capital e tem boas expectativas para a estreia da Cabine Rosa, que deve realizar o acolhimento especializado e humanizado da mulher. A Diretoria de Proteção da Mulher, da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, anunciou a abertura da Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Imaculada Conceição para recebimento dos filhos das ambulantes que trabalharão durante a festa.  

Políticas permanentes e planejamento antecipado

Na reunião, as vereadoras Julhia Santos (Psol), Loíde Gonçalves e Luiza Dulci (PT) ressaltaram que, para garantir a dimensão e a potência do Carnaval de BH, é fundamental investir em prevenção, acolhimento às vítimas, capacitação de equipes, fiscalização e uso de tecnologia no enfrentamento à importunação sexual. A vereadora Luiza Dulci destacou que o tema vem sendo debatido ao longo de todo o ano, inclusive em audiências realizadas pelo colegiado e sugeriu atuação perene. “As ações durante a festa são importantíssimas, mas precisamos garantir políticas públicas permanentes”, afirmou.

Presente em parte da reunião, Rubão (Pode) recordou sua atuação na Comissão de Mulheres nos anos de 2022 e 2023 e ressaltou que o combate a importunação sexual deve ser levado a todos os setores da sociedade.

Mulheres fazem o Carnaval de BH

A vereadora Juhlia Santos enfatizou o protagonismo feminino na construção da festa. “Desde a sua origem, são as mulheres que fazem o Carnaval de BH”, disse, lembrando da atuação nas oficinas, na produção de adereços e nas cordas dos blocos. A parlamentar destacou ainda a importância da presença de agentes femininas nos blocos e defendeu a ampliação do efetivo e melhorias na estrutura.

“É importantíssimo quando a gente chega no bloco e tem esse acolhimento feito por pares”, observou Juhlia Santos.

Cabine Rosa, monitoramento e dados em queda

A capitã Graziele Lúcia de Barros, da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), explicou que o planejamento do Carnaval começa ainda em novembro do ano anterior, com levantamento dos blocos e definição das estratégias. Para 2026, uma das novidades, segundo a agente, é a Cabine Rosa, que funcionará com atendimento feito por mulheres para vítimas de importunação sexual e violência doméstica. Além disso, estarão disponíveis seis centros de registro de ocorrências, com atendimento especializado e acolhimento humanizado, nos seguintes pontos: Colégio Arnaldo; Rua da Bahia (próximo à Praça da Liberdade); Terminal JK; Rua Carijós, 758; Avenida dos Andradas (próximo ao Boulevard); e Avenida Abraão Caram, na Pampulha.

A capitã destacou ainda o uso do aplicativo Emergência MG, que permite à vítima acionar a polícia por chat. Segundo ela, autores de violência, especialmente aqueles com medidas protetivas, serão monitorados durante o Carnaval. A PM observa queda nas ocorrências de importunação sexual nos últimos anos e diz que o trabalho é para zerar os casos.

Creche para filhos de ambulantes

Uma das novidades para 2026 foi a abertura da Emei Imaculada Conceição (Rua da Bahia, 1.534, Lourdes) para receber filhos de ambulantes que trabalharão durante o Carnaval. Isabella Pedersoli de Oliveira, diretora de Políticas para as Mulheres, da Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, reforçou que as mulheres são maioria entre ambulantes e catadoras e que a medida representa um avanço social importante.

Ela enfatizou que toda mulher vítima de violência terá atendimento e acolhimento garantido, independentemente de ser cis ou trans, de estar alcoolizada ou sob efeito de drogas.

“BH não vai tolerar violência e importunação contra a mulher no Carnaval e, se acontecer, estaremos prontos para agir”, declarou Isabella Pedersoli.

Efetivo ampliado e câmeras de reconhecimento

A subinspetora Aline Oliveira, da Guarda Civil Municipal, informou que todo o efetivo de 2.483 agentes estará empenhado nas dez regionais da cidade. A corporação utilizará cerca de 5 mil câmeras de monitoramento, sendo 16 com tecnologia de reconhecimento facial. A campanha “Não é Não” contará com 30 agentes atuando em 78 blocos, com distribuição de materiais como tatuagens, viseiras e leques educativos. Mensagens de segurança serão veiculadas em diferentes idiomas e também incluirão alertas contra o racismo. No transporte coletivo, mulheres poderão acionar botão de emergência em caso de importunação sexual.

Superintendência de Comunicação Institucional

Audiência pública para discutir o combate à importunação sexual e outras políticas públicas voltadas para as mulheres no Carnaval de Belo Horizonte. 2ª Reunião  Ordinária - Comissão de Mulheres