CÂMARA EM FOCO

Juliano Lopes fala da Academia Móvel e das passagens pelo Executivo Municipal

Presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte faz ainda um balanço de sua gestão e critica a mobilidade urbana da capital

quarta-feira, 24 Junho, 2026 - 13:00
O jornalista Alessandro Duarte entrevista o Presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Professor Juliano Lopes, no Plenário Amintas de Barros

Reprodução YouTube

É com os olhos cheios d’água que o presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), Professor Juliano Lopes (Pode), lembra de sua mãe durante entrevista para o videocast Câmara em Foco. Questionado sobre uma postagem feita em suas suas redes sociais, logo após a morte de dona Sônia, aos 78 anos, em abril de 2025, na qual diz que fará “de tudo para ser alguém de quem ela continue sentindo orgulho”, Juliano Lopes conta que tem feito o possível para honrar a promessa. “Ela foi a pessoa mais importante da minha vida, quem me criou, quem me educou, quem me ensinou o caminho correto”, afirma. Durante a conversa, que encerra a primeira temporada do programa, ele faz um balanço dos primeiros 18 meses à frente da Casa, recorda suas passagens pelo Executivo, detalha alguns de seus projetos e celebra o sucesso do projeto Academia Móvel, que ocupa atualmente 10 espaços públicos da cidade. Ex-árbitro de futebol, o presidente ainda relembrou os tempos dos gramados para falar sobre o que, em Belo Horizonte, merece "cartão vermelho".

Academia Móvel

Criado em 2007, seis anos antes de Professor Juliano Lopes assumir o primeiro de seus quatro mandatos na CMBH, o projeto Academia Móvel chegou a 10 espaços públicos da cidade. A proposta é oferecer aulas gratuitas de reforço muscular, alongamento e dança. “É um projeto social que não recebe nenhum tipo de recurso público”, ressalta Juliano. Ele conta que todo o patrocínio vem de comerciantes, principalmente da Região do Barreiro, onde tudo começou. 

“Hoje, a Academia Móvel é um veículo, mas quando eu comecei era apenas uma caixa de som. Contamos com quatro professores, todos da área de educação física”, afirma. 

O vereador salienta que, apesar do início modesto, o projeto que completa duas décadas no ano que vem “atualmente leva qualidade de vida para quase mil pessoas”. 

Instituto Federal no Barreiro

Morador do Barreiro, Professor Juliano Lopes foi um dos entusiastas da ida do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) para a região. Ele lembra da mobilização da classe política e de lideranças comunitárias para que o instituto não fosse para o bairro Buritis, como estava previsto inicialmente. A Operação Urbana Simplificada que irá permitir a implantação do novo campus ali foi aprovada por unanimidade pelos vereadores. 

Ele recorda que foram feitas audiências públicas e reuniões extraordinárias do Plenário para aprovar o PL do Executivo em tempo recorde, já que o governo federal precisava incluir os recursos no orçamento para 2026. “Assim, nós garantimos que uma região com quase 300 mil habitantes, que se fosse um município seria o oitavo de Minas Gerais em termos de população, recebesse esse presente”, diz. 

O campus Belo Horizonte será o 18° da instituição em Minas Gerais. Quando estiver operando com sua capacidade total, a expectativa é que tenha 1,5 mil vagas nas áreas de meio ambiente e saúde. A previsão é de que sejam ofertados cursos de técnico em análises clínicas, enfermagem, farmácia, nutrição e dietética, radiologia e cuidado de idosos, entre outros. 

Projetos

Entre os diversos projetos aprovados ao longo dos mais de 13 anos na Câmara Municipal, Professor Juliano Lopes destaca algumas propostas recentes, como a proposta, transformada em lei no final do ano passado, que obriga a destinação de um espaço específico para ponto de táxi em eventos com público superior a 5 mil pessoas. Ele conta que foi sua experiência que o fez atentar para a necessidade.  

“Eu sou uma pessoa que gosta de frequentar eventos, e a grande dificuldade quando você sai desses lugares é não ter um ponto específico para quem quer pegar um táxi. Então, agora, já no croqui do show, jogo de futebol ou feira, o organizador precisa prever uma área para isso”, afirma. 

Aprovado em 2º turno na última reunião do Plenário de junho, o Projeto de Lei (PL) 366/2025 busca reconhecer o Arraial de Belô como manifestação artístico-cultural popular e democrática. Um dos autores da proposta, Professor Juliano Lopes explica que a festa é o segundo evento que mais movimenta o turismo da cidade, atrás apenas do Carnaval, que já está mais consolidado. “Além de trazermos esse reconhecimento para o Arraial de Belô, é uma forma de a prefeitura conseguir mais recursos”, acredita. 

Primeiros 18 meses na presidência da CMBH

Ao longo da entrevista ao videocast, Professor Juliano Lopes faz um balanço de seu um ano e meio na Presidência da Câmara. Logo que assumiu o cargo, em janeiro de 2025, ele deu uma entrevista ao portal da CMBH em que falou de seu desejo de trazer de volta à Casa a democracia, o respeito aos funcionários e a todos os vereadores. Os primeiros meses de gestão atenderam à essa expectativa? Para o presidente, essa é uma pergunta que nem deveria ser feita a ele, mas aos outros vereadores e aos funcionários da Casa.

“Mas acredito que tudo que pude fazer para valorizar as pessoas que trabalham aqui, eu fiz. E, pelo que converso com os vereadores, creio que estão bastante satisfeitos com essa gestão. Procuramos ouvir a todos, independentemente de cor, raça, orientação sexual e partido”, afirma. 

A relação com o Executivo também melhorou, na visão de Juliano Lopes. “Hoje, é a melhor possível”, diz. Para ele, o diálogo entre os poderes é o responsável por essa melhora. “Eu e o prefeito Álvaro Damião chegamos em um consenso de que o melhor para a cidade é trabalharmos em harmonia, de maneira totalmente independente. Assim, o cidadão, lá na ponta, percebe o resultado”, fala. 

Passagens pelo Executivo

Um reflexo dessa harmonia é o fato de Professor Juliano Lopes ter substituído, por cinco vezes, o prefeito Álvaro Damião no Executivo municipal, nesses 18 meses. “Eu sou de Belo Horizonte, sou 'barreirense', da periferia da capital, e sou apaixonado por essa cidade. Por isso, sentar naquela cadeira de prefeito foi uma experiência muito vasta”, conta

Em uma das passagens pela administração municipal, Juliano Lopes enviou à Câmara o PL, transformado na Lei 12.011/2026, que institui o Programa de Incentivo ao Estudante Atleta. O programa cria 10 centros municipais escolares de treinamento esportivo e olímpico para desenvolver talentos esportivos entre os estudantes das escolas municipais. Como se trata de um projeto que cria despesas para o Município, não poderia ser de iniciativa parlamentar. 

“Nós estamos tirando o jovem, a criança, o adolescente do computador, do celular, e levando para práticas esportivas. É um sonho para mim, que sou formado em educação física”, diz.

Ele conta que conversou muito com o prefeito Álvaro Damião e com a secretária municipal de Educação para viabilizar o PL. “E por que ele é ligado à Secretaria Municipal de Educação, e não de Esportes? Porque a Educação tem mais dinheiro”, explica. 

Mobilidade urbana

Ao final do bate-papo, o presidente da Câmara Municipal foi instado a voltar aos tempos em que circulava pelos gramados do Mineirão e de outros estádios do nosso estado, de apito na mão. Afinal, o que, em Belo Horizonte, mereceria cartão vermelho do ex-árbitro da Federação Mineira de Futebol e da Confederação Brasileira de Futebol (CBF)? Juliano Lopes nem titubeia: “a mobilidade urbana”. Para ele, esse é o principal entrave da capital. 

Professor Juliano Lopes garante que a CMBH ataca o problema desde o início de sua gestão, com a implantação da comissão especial que estuda os contratos de ônibus na cidade. Firmado em 2008, ele tem validade de 20 anos. 

“Nós estamos trazendo aqui para a Casa os empresários dos ônibus, a população, os taxistas, o transporte por aplicativos para discutir esse contrato. É lógico que quem vai definir as novas bases é a prefeitura, mas a Câmara está fazendo sua parte e, lá para outubro ou novembro, vamos apresentar sugestões”, afirma. 

Em maio, o presidente foi à China exatamente para conhecer soluções de mobilidade inteligente, além dos avanços em veículos elétricos e autônomos. E voltou muito bem impressionado. “A China tem um incentivo muito grande ao carro elétrico, não só sobretaxando os veículos à combustão, mas proporcionando formas de abastecimento para facilitar a vida de quem usa essa tecnologia mais moderna. É uma maneira de diminuir a poluição atmosférica e sonora”, conta. 

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