EDUCAÇÃO

Projeto de lei que restringe temas de gênero nas escolas avança em 1º turno

Informação sobre participação ou não em atividades deve ser enviada pelos pais, por escrito. PL vai a mais uma comissão

quarta-feira, 18 Março, 2026 - 13:15
Vereadores no Plenário Helvécio Arantes

Foto: Tatiana Francisca/CMBH

Proposta que assegura a pais e responsáveis o direito de vedar a participação de seus filhos em atividades pedagógicas de gênero nas escolas recebeu parecer favorável da Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia, Cultura, Desporto, Lazer e Turismo, em reunião nesta quarta-feira (18/3). Assinado por Flávia Borja (DC) e tramitando em 1º turno, o PL 439/2025 estabelece que instituições de ensino públicas e privadas da capital deverão informar sobre “quaisquer atividades pedagógicas de gênero que possam ser realizadas no ambiente escolar”, e que pais ou responsáveis devem se manifestar por escrito a respeito da participação dos filhos. Para Irlan Melo (Republicanos), relator na comissão, a exigência fortalece a transparência, o diálogo entre escola e família, e a participação dos responsáveis no processo educacional.  Antes que possa ser levado ao Plenário, o texto passará por análise de mais uma comissão. Confira o resultado completo da reunião.

Manifestação por escrito

O PL 439/2025 define que atividades pedagógicas de gênero são aquelas que abordam temas relacionados à identidade de gênero, à orientação sexual, à diversidade sexual e à igualdade de gênero. De acordo com a proposta, pais ou responsáveis devem manifestar por documento escrito e assinado sua concordância ou discordância sobre a participação nesse tipo de atividade. Para Flávia Borja, atividades desta natureza ferem o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA).

“Expor estudantes a atividades pedagógicas relacionadas à ideologia de gênero e orientação sexual fere o estabelecido no Estatuto da Criança e Adolescente, bem como, indiscutivelmente, foge da competência das instituições de ensino”, afirma a autora da proposta.

Na comissão, o relator Irlan Melo considerou em seu parecer que a medida fortalece a participação da família no processo educacional e assegura aos pais e responsáveis o direito de acompanhar e decidir sobre a participação de seus filhos em determinadas atividades pedagógicas.

“Reforça a cooperação entre escola e família na formação dos estudantes, torna mais claro para os responsáveis quais conteúdos e atividades estão sendo trabalhados na escola, reduz conflitos ou incompreensões entre famílias e instituições de ensino, e estimula o planejamento pedagógico mais estruturado e comunicativo”, destaca o relator.

Discordâncias

Integrantes da comissão, Professora Marli (PP), Flávia Borja e Tiléleo (PP) concordaram com o relator. Já a vereadora Professora Nara (Rede) se manifestou contra o parecer, defendendo que a escola é o lugar onde "acontece o mundo" e, assim, deve ser também o lugar onde se discute o que acontece no mundo. “Não se trata de ideologia. É a realidade do que existe no mundo. Se a escola não tiver condições de discutir o assunto X ou Y, ela perde a sua função, que é educar”, ressaltou a parlamentar. Irlan Melo, no entanto, defendeu seu parecer e classificou o PL como "oportuno e necessário". "Somos contra a doutrinação ideológica que tem ocorrido. O desenvolvimento dos estudantes passa pelo aprendizado, e não por uma ideologia a ser incutida em sua mente”, afirma Irlan Melo.

Com o parecer favorável acatado, o PL 439/2025 segue agora para análise na Comissão de Administração Pública e Segurança Pública e, em seguida, deve aguardar para ser levado para apreciação inicial do Plenário. O quórum para aprovação é da maioria dos presentes.

Superintendência de Comunicação Institucional

Audiência pública para debater as diretrizes da Portaria SMED nº 409/2025, que impõe severas restrições ao transporte escolar. 6ª Reunião Ordinária. Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia, Cultura, Desporto, Lazer e Turismo.