MULHERES VIVAS

8 de março é marcado por debate sobre violência contra a mulher na Câmara de BH

Participantes defenderam a importância de políticas públicas para reduzir o machismo e garantir os direitos das mulheres

sexta-feira, 8 Março, 2019 - 16:30
Seminário debateu políticas públicas de combate à violência contra a mulher, no dia 8 de março de 2019
Foto: Bernardo Dias/CMBH

No Dia Internacional da Mulher, celebrado nesta sexta-feira (8/3), a Comissão de Direitos Humanos e Defesa do Consumidor trouxe à pauta a discussão sobre o combate à violência contra a mulher. Por meio do seminário “Mulheres Vivas: um olhar crítico a respeito do feminicídio”, vereadoras, representantes do Poder Executivo e da sociedade civil promoveram uma reflexão sobre a cultura brasileira machista que favorece o desrespeito e a desvalorização da mulher, destacando a importância da promoção de políticas públicas voltadas para a garantia dos direitos e a mudança de postura da sociedade.

Segundo Nely Aquino (PRTB), presidente da Câmara de BH e autora do requerimento do seminário, a sociedade brasileira precisa acordar e assumir a responsabilidade pela defesa dos direitos das mulheres. “Nesta cultura machista, nós, mulheres, não podemos nos acomodar. Aqui não somos de partido de esquerda ou de direita, somos mulheres representando mulheres. Como sociedade, temos também que assumir essa responsabilidade e acordar para a igualdade de direitos. Não podemos tratar com naturalidade o assassinato de mulheres”, afirmou a vereadora.

Cida Falabella (Psol) salientou que o trabalho de desconstrução do machismo é uma luta diária, o que aumenta a importância de se ter uma mulher à frente da presidência da Casa. “Somos apenas 10% aqui e muitas vezes somos cerceadas. Entendemos a responsabilidade de estarmos aqui furando bloqueios. Estamos aqui para escutar os gritos e evitar as mortes. O feminicídio é apenas o ápice de uma série de violências banalizadas”. Ressaltando que o Brasil é o 5º país do mundo que mais mata mulheres, a parlamentar Bella Gonçalves (Psol) afirmou a necessidade de que as mulheres ocupem espaço na política, promovendo a reflexão, debatendo e fazendo desta uma luta de todos os dias, e não só de hoje.

Violência tem rosto

De acordo com a psicanalista e assessora da Superintendência de Políticas Públicas para Mulheres de Contagem, Dalila Reis, “desde que chegamos neste plenário duas mulheres já foram vítimas de feminicídio, outras 30 já sofreram algum tipo de violência e, até o fim do dia, outras duas irão morrer. Ser mulher no Brasil é nascer com menos chances de sobreviver. Este é o único crime que tem justificativa e que a culpa é da vítima. Não há uma mulher aqui que nunca tenha sofrido uma violência”, lamentou a participante.

“Mulheres vítimas de violência podem demorar mais de 10 anos para denunciar seu agressor”, destacou a publicitária Daniela Schanen, que viveu por 20 anos um relacionamento abusivo muito violento. “Não é fácil denunciar a pessoa que você ama, o pai dos seus filhos. A mulher tem vergonha, sente medo e culpa, perde o senso crítico, além da dependência financeira; muitas vezes, há falha do sistema de denúncia. Mas essa ‘zona de conforto’ da violência é muito desconfortável e perigosa". Schanem também alertou os presentes sobre os sintomas de uma relação abusiva, que apresenta um escalonamento da violência, começando com o ciúme e a depreciação da companheira, passando à agressão verbal e à agressão física, que pode chegar ao assassinato. “Denunciar é um caminho longo e burocrático. A mulher será julgada mesmo com provas, mas é necessário”.

Luta pelos direitos

A psicóloga Larissa Borges, que já atuou na Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e na Secretaria Nacional de Juventude, reforçou que, neste dia de reconhecimento das lutas e de enfrentamento, é preciso que cada mulher reconheça sua força e sua importância, e que tenha a consciência de que ser feminista é lutar pela garantia dos seus direitos. “Precisamos de políticas públicas que deem conta da diversidade das mulheres, pois as diferenças fazem diferença. Os direitos devem ser iguais, mas as medidas devem ser diferentes para atender a realidade de cada uma”, defendeu.

Para a secretária Municipal de Assistência Social, Segurança Alimentar e Cidadania da PBH, Maíra Colares, a violência não é algo distante, materializada na sociedade como agressão física ou psicológica; a violência é cotidiana e acontece comumente por meio de comentários pejorativos, pela obrigação da mulher em assumir a gestão das tarefas domésticas, no medo dela em sair na rua. Segundo Colares, discutir políticas públicas para a mulher não abrange apenas o atendimento depois da violência, mas a promoção da saúde, da educação e da comunicação que previnam e superem o machismo estrutural.

Também participaram do seminário a presidente do Conselho da Mulher Empreendedora da ACMinas, Alessandra Alkmim Costa; a psicóloga do projeto Rumo Certo, Eliana Aguiar; a presidente estadual do PRTB, Rita Del Bianco; a delegada de mulheres de BH, Cristiane Moreira; a diretora da Subsecretaria de Direito e Cidadania da PBH, Viviane Coelho Moreira; a professora, historiadora e integrante do Movimento Olga Benário, Alexsandra Pimentel França, e a coordenadora de Prevenção e Combate a Violência Contra a Mulher da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Minas Gerais, Isabel Araújo Rodrigues.

Assista ao vídeo da reunião na íntegra.

Superintendência de Comunicação Institucional

Seminário - Comissão de Direitos Humanos e Defesa do Consumidor