SAÚDE OCULAR

Em três anos, mutirão oftalmológico alcança 75 mil crianças em BH

Emenda impositiva da vereadora Trópia viabilizou de cerca de 13 mil óculos. Especialistas defendem continuidade das ações

quarta-feira, 13 Maio, 2026 - 13:15
parlamentares presentes em reunião de comissão na câmara de bh

Foto: Denis Dias/CMBH

Mutirões de triagem oftalmológica realizados em escolas da rede pública municipal nos últimos três anos totalizaram cerca de 18.750 consultas, e aproximadamente 13 mil indicações para uso de óculos. Esses e outros resultados foram apresentados durante audiência pública realizada na manhã desta quarta-feira (13/5), na Comissão de Educação, Ciência, Tecnologia, Cultura, Desporto, Lazer e Turismo da Câmara Municipal de Belo Horizonte, a pedido da vereadora Trópia (Novo). As ações ocorreram em parceria com as secretarias municipais de Saúde e Educação, além de clínicas e hospitais. A vereadora destinou cerca de R$ 1,3 milhões, por meio de emenda parlamentar impositiva, para ações de rastreamento e aquisição de óculos para os estudantes. Durante a audiência, a parlamentar destacou a necessidade de tornar o mutirão uma política pública. Especialistas ressaltaram a importância da continuidade do atendimento nos centros de saúde e equipes de saúde da família.

Articulação com escolas foi fundamental

Ao abrir a audiência, Trópia destacou que o ensino atual é "muito visual", e que hoje, cerca de 23% das crianças deixam a escola em função da baixa visibilidade. Ela lembrou que os mutirões nasceram num contexto pós-pandemia, "com desafios", mas hoje apresentam resultados expressivos. Segundo a parlamentar, dos 103 mil estudantes da rede pública municipal, cerca de 75 mil foram avaliados por acadêmicos de medicina, e aproximadamente 30% necessitavam de atendimento especializado. Trópia destacou que, em 2023, foram agendadas 3.330 consultas oftalmológicas e que após articulação com a Secretaria Municipal de Educação os números foram ampliados, alcançando até o fim de 2025 18.750 consultas e aproximadamente 13 mil indicações para uso de óculos.

“Por mais que o SUS tenha o serviço, quem de fato percebia que tinha algo com a criança era a professora ou a diretora da escola”, afirmou a vereadora Trópia.

Ela ressaltou ainda que os recursos para a iniciativa vieram também de aporte de R$ 4 milhões do governo do estado, e R$ 1,3 milhão destinado por meio de emenda parlamentar impositiva. “Conseguimos viabilizar óculos para todas as crianças”, declarou. A parlamentar também destacou que a experiência desenvolvida em Belo Horizonte serviu de referência para a criação do Programa Miguilim em Minas Gerais.

Ausências são desafio

O médico João Medeiros, da diretoria técnica do Hospital Evangélico, concordou com a vereadora sobre os desafios iniciais na implantação das ações e ressaltou que, no caso do Programa Miguilim, a regulamentação foi "essencial". Segundo o médico, nas ações que ocorreram no município, entre 30 mil e 40 mil crianças foram triadas pela entidade, e cerca de 10 mil consultas foram realizadas para diferentes patologias oftalmológicas. Medeiros chamou atenção, porém, para o ainda elevado índice de faltas, e defendeu uma política permanente como forma também de baixar as ausências. “O mutirão é importante porque ele "apaga o incêndio", mas precisamos garantir uma política de saúde perene”, defendeu.

Continuidade nos centros de saúde

Responsável pelo Centro Municipal de Oftalmologia (CMO), Romilda Araújo destacou a relevância dos mutirões para a redução da fila de espera por consultas oftalmológicas infantis, e defendeu maior participação dos centros de saúde e equipes de saúde da família nas ações. “Em 2022, tínhamos uma fila e conseguimos zerar. Temos 153 centro de saúde e eles são a porta de entrada da saúde da família para dar continuidade aos atendimentos”, afirmou, lembrando que o grau das crianças se desenvolve na medida em que elas crescem.

Ações no estado e desafios

Diretora de Políticas e Estruturação da Atenção Especializada da Secretaria de Estado da Saúde, Fernanda Vilarino explicou que o Programa Miguilim surgiu a partir da necessidade de realização de mutirões, mas evoluiu para uma política estruturada de atenção à saúde ocular no estado. “Hoje, o programa conta com adesão de 788 municípios”, contou. Segundo ela, o Estado investiu cerca de R$ 19 milhões em 2024, R$ 21 milhões em 2025, e prevê ainda outros R$ 21 milhões para 2026. De acordo com a gestora, embora ainda haja desafios para implantação no interior do estado, o programa já contabiliza aproximadamente 216 mil consultas realizadas e 18 mil óculos entregues em Minas Gerais.

Maria Inês Lima, representante do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais, reforçou a necessidade de continuidade das ações, e alertou para a importância da adequação dos mutirões e fiscalização técnica. Segundo ela, o conselho já recebeu denúncias relacionadas à venda irregular de óculos e à ausência de acompanhamento adequado em alguns atendimentos. “Não precisa ser médico oftalmologista, mas é necessário ter um responsável técnico”, afirmou.

Trópia destacou que embora o Programa Miguilim tenha desafios é importante garantir sua continuidade como uma política pública permanente. Ela indicou que diálogos e troca de experiências são um caminho.

Superintendência de Comunicação Institucional

Audiência pública para apresentar e discutir os dados, resultados e perspectivas do mutirão de consultas oftalmológicas realizado no município de Belo Horizonte - 14ª Reunião Ordinária - Comissão de Educação

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