DIREITO DE IR E VIR

Contrários ao fechamento de ruas, moradores propuseram carnaval em espaços fechados

Belotur defendeu a presença dos foliões nas ruas da capital, mas reconheceu a necessidade de melhorar a infraestrutura

quinta-feira, 28 Março, 2019 - 18:30
Parlamentares e convidados compõem mesa de reunião
Foto: Abraão Bruck/ CMBH

Incomodados com a limitação imposta à circulação de veículos na Região Centro-sul da capital, durante o Carnaval 2019, alguns moradores da Savassi e bairros próximos estariam cobrando mais atenção da Prefeitura aos cidadãos que não participam da festa e desejam circular livremente com seus carros nos quatro dias de folia. Em audiência pública da Comissão de Desenvolvimento Econômico, Transporte e Sistema Viário, realizada na tarde desta quinta-feira (28/3), foi proposta a realocação dos desfiles e a concentração do carnaval em espaços fechados como Expominas (Gameleira), Mineirão (Pampulha) e Mega Space (município de Santa Luzia, MG). Diante disso, a Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur) defendeu o carnaval como uma manifestação social espontânea, que tradicionalmente acontece nas ruas, e garantiu que a Prefeitura se esforça para minimizar os impactos negativos àqueles que não desejam participar da festa. O órgão deve receber os moradores incomodados para buscar alternativas.

Morador do Prado (Região Oeste), Guilherme Neves esteve na audiência representando moradores de áreas mais impactadas pela festa de rua, como a Savassi e o Funcionários. Apesar de reconhecer a melhoria na organização do Carnaval 2019, em relação às edições anteriores, Neves destacou que o problema “é que o palco está no lugar errado”, referindo-se à concentração da festa na Região Centro-sul da cidade e nas grandes avenidas como Av. Getúlio Vargas, Av. Brasil e Av. Afonso Pena. Para o morador, “o principal impacto negativo é a permanência dos foliões nas ruas” e defendeu que os blocos apenas “passem pelas avenidas” e sejam definidos pontos estratégicos, como grandes galpões, estádios de futebol e centros de eventos na região metropolitana, para receber a festa. O objetivo é que “as ruas não sejam impedidas” e os moradores tenham livre mobilidade para circular com seus veículos. Guilherme Neves chegou a sugerir a Praça da Estação como ponto adequado, uma vez que ali “não há morador”.

Afirmando a disponibilidade, interesse e obrigação da Belotur em se abrir para o diálogo com todos os moradores da capital, o presidente do órgão, Gilberto Castro, destacou que “o carnaval não é um evento. É uma manifestação espontânea da cidade, que quer ocupar as ruas. Não é a Prefeitura quem faz a festa, é a cidade. São as pessoas, que são também moradores, cidadãos, contribuintes e consumidores”. O gestor pontuou que a Praça da Estação tem, sim, moradores no entorno, majoritariamente idosos, e já é ponto de concentração de blocos. “Não há lugar onde não haja moradores”, resumiu Castro, pontuando que os impactos são inevitáveis e sempre vão acontecer perto da casa de alguém.

De acordo com o levantamento da Belotur, a festa mobilizou mais de 900 mil pessoas diariamente nos desfiles dos blocos de rua e movimentou em R$ 600 milhões a economia do município. O órgão explicou que existe um esforço do poder público em cadastrar os blocos e organizar a infraestrutura para favorecer o desenvolvimento da festa e minimizar os problemas, mas a demanda é da população. Pelo menos 80% da cidade se envolvem na folia, conforme divulgou a Belotur. O órgão destacou que foram feitas mais de 400 reuniões de negociação com os quase 600 blocos cadastrados, a fim de redefinir trajetos, datas e horários dos desfiles para reduzir impactos.

“O carnaval é o uso que as pessoas querem fazer da cidade. Tem uma apropriação que é feita do espaço público ao ocupar as ruas e avenidas centrais”, afirmou a diretora de Ação Regional e Operação da BHTrans, Deusuite Assis, reconhecendo a demanda dos foliões pela presença das pessoas nas ruas, antes cheias de carros.

Morador do Bairro Sion (Região Centro-sul), Gabriel Castro é folião no Carnaval de Belo Horizonte desde 2012 e afirmou que “quem viu o carnaval crescer, sabe que ele é uma manifestação política, não é apenas uma festa. Carnaval não é no Mineirão, é na rua. E a rua é para as pessoas”, resumiu. O folião destacou que o transtorno gerado é mínimo diante da potência política da ocupação das ruas pelas pessoas, pontuando que são apenas quatro dias, o que representa 1,1% do ano inteiro.

Estratégia e melhorias

A BHTrans apresentou o planejamento viário escolhido pelo órgão para o período do Carnaval 2019, que previu seis grandes bolsões em que a circulação de veículos ficaria restrita, privilegiando a presença dos blocos de rua. A intenção da BHtrans foi inibir a aproximação entre os motoristas e os foliões para evitar riscos de acidentes ou mesmo enfrentamento. Assim, a região central da cidade, envolvendo as avenidas Brasil e Afonso Pena, Praça da Liberdade e Avenida João Pinheiro, teve o tráfego reduzido aos moradores locais.

As linhas de ônibus também foram redefinidas e deslocadas para fora do perímetro dos blocos. A intenção foi estabelecer um percurso e novos pontos de parada que pudessem ser mantidos durante os quatro dias para facilitar o deslocamento dos usuários do transporte coletivo. No entanto, apesar dos esforços na divulgação, a BHTrans reconheceu que é preciso melhorar a comunicação, uma vez que muitos moradores e usuários teriam sido surpreendidos pelas mudanças e pela presença de foliões nas portas de suas casas.

Com avaliação média de 8,5 (em 10), conforme pesquisa de satisfação contratada pela Belotur, o Carnaval 2019 parece ter agradado cidadãos da capital e turistas, com pontuação melhor que no ano anterior. No entanto, dois aspectos principais se destacaram entre as melhorias necessárias: quantidade e distribuição dos banheiros químicos e a comunicação sobre mudanças no tráfego e percurso dos ônibus.

Autor do requerimento para a audiência, o vereador Jair Di Gregório (PP) parabenizou a atuação da BHTrans e da Belotur no planejamento viário que favoreceu a realização da festa e, diante das reclamações de alguns moradores, propôs o aprimoramento dos canais de comunicação da Prefeitura, como o 156 e os aplicativos digitais, para receber as reclamações durante o feriado.

Assista ao vídeo da reunião na íntegra.

Superintendência de Comunicação Institucional

Audiência pública para discutir sobre os critérios e procedimentos para fechamento de vias durante o carnaval de Belo Horizonte - 8ª Reunião OrdináriaComissão de Desenvolvimento Econômico, Transporte e Sistema Viário