PARQUE ABANDONADO

Comunidade se mobiliza e cobra preservação de nascente fundamental do Ribeirão do Onça

Reivindicações como limpeza, cercamento e manutenção foram apresentadas em visita da Comissão de Meio Ambiente e Política Urbana

quarta-feira, 4 Março, 2020 - 13:30
Foto: Bernardo Dias / CMBH

“Precisamos de limpeza. Da praça até a nascente.” Esta fala resume a demanda inicial e mais urgente da comunidade que cuida da Área de Proteção Permanente (APP) onde está localizada a nascente fundamental do Parque Ciliar do Ribeirão do Onça, localizada no final da Rua Serra da Mantiqueira, no Bairro Ribeiro de Abreu. O pedido foi apresentado pelos moradores a representantes da SLU, Urbel, Copasa, Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Regional Nordeste em visita técnica da Comissão de Meio Ambiente e Política Urbana realizada na manhã desta quarta-feira (4/3). Segundo o vereador Edmar Branco (Avante), que solicitou a visita, muito deve ser feito para que o local seja devidamente preservado, mas a limpeza é urgente neste momento. “Precisa limpar pois quem cuida da nascente é a comunidade. Se não tem acesso não tem como cuidar da nascente”, afirmou o vereador. Ainda segundo Branco, a maior parte das águas que correm no Ribeirão do Onça tratam-se de esgoto ilegal. A comunidade também reivindica o cercamento da área.

Luciana Soares é gerente de Limpeza Urbana da Regional Nordeste. Segundo ela, o espaço é limpo duas vezes por ano, mas como o mato está muito alto, o serviço será feito excepcionalmente. “Tínhamos proposto limpar em abril pois estamos atendendo pedidos dentro das demandas normais. Tudo indica que, se a chuva deixar, colocaremos nossa turma aqui até sexta-feira e com aproximadamente 20 dias deixamos tudo limpo”, explicou a gerente. O local onde fica a fonte é muito visitado por alunos das escolas locais que fazem trabalhos relacionados a questões ligadas à preservação do meio ambiente. Segundo os moradores, as visitas não estão sendo feitas por causa do mato alto e do desmoronamento de um barranco no local. A solicitação de limpeza urgente foi feita em função das comemorações do Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março. “No dia 20 de março vamos fazer uma ação em função do Dia da Água e avançar mais no debate sobre a nascente”, disse o vereador Branco, convidando todos a participarem das atividades.

Cercamento

Outro problema enfrentado pelos moradores e integrantes do Conselho Comunitário Unidos pelo Ribeiro de Abreu (Comupra), principal instituição que cuida da nascente, é a falta de cercamento do local. Segundo os moradores, a Copasa, por meio da Sales Engenharia, deveria ter cercado toda a área conforme acordo firmado em Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD). O cercamento faria parte de um acordo de compensação ambiental relativo a obra de construção de interceptor do Córrego do Isidoro. Segundo o engenheiro responsável pela empresa, Marcus Sales, o que estava previsto no contrato foi feito, mas está em negociação aditivo que possibilite atender a demanda da comunidade. “Plantamos quase 2000 mudas de árvores nas margens do Onça e fizemos 1,5 km de cerca. Não há mais recursos para finalizar o cercamento. É preciso fazer um aditivo”, explicou o engenheiro. A demanda de realização do restante dos trabalhos será levada à Copasa. “Vamos fazer ofício junto à Copasa questionando porque não foi feito todo o cercamento”, disse Edmar Branco, acrescentando que sem a instalação de cercas, animais estão entrando no terreno e prejudicando ainda mais a flora local.

Participação e informação

Além dos trabalhos emergenciais de cercamento e capina, a comunidade local cobra que seja feito um trabalho que se preocupe com a área em sua integralidade. “Muita gente que mora aqui ainda não sabe que tem uma nascente por perto. Isso é nosso e temos que cuidar e preservar. Sou educadora e trouxe meus alunos aqui várias vezes. Está faltando ensinar mais e mostrar para as pessoas a importância disso aqui”, disse Roneide Aparecida, vice-presidente do Comupra e moradora da região. Segundo ela, se nada for feito, a área pode ser perdida. “O local está comprometido por que não foram feitas algumas coisas que já estavam apontadas para fazer em outros momentos, como a contenção dos barrancos e a limpeza. Os moradores estão se afastando por causa do abandono do poder público”, salientou Roneide.

Segundo informações do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas, do qual o Ribeirão do Onça faz parte, a nascente fica a 150 metros do asfalto e a 60 metros do conjunto Habitacional Ribeiro de Abreu. Já foi a principal fonte de abastecimento para a população local quando faltava água no bairro. O entorno da nascente apresenta uma pequena área permeável, vegetação com a presença de árvores nativas, frutíferas e ornamentais.

Para o coordenador de Atendimento da Regional Nordeste, Marcelo Camargo, é preciso resolver as questões emergenciais e retomar rapidamente as atividades relacionadas à conservação do local. “Precisamos retornar os projetos relacionados à nascente. Precisamos também provocar todos os envolvidos para que retornem e deem os encaminhamentos necessários à preservação da nascente e seu entorno”, afirmou Marcelo.

Encaminhamentos

Verificados os problemas, a Comissão de Meio Ambiente e Política Urbana vai encaminhar ofícios aos órgãos responsáveis solicitando a finalização do cercamento da área e a retirada de cerca abandonada na parte de dentro do terreno. À Secretaria Municipal de Meio Ambiente serão enviados dois ofícios: o primeiro, solicitando reunião para tratar do assunto; e outro pedindo a inclusão da Área de Preservação Permanente no projteo Montes Verdes. Criado em 2016, o projeto tem como objetivo induzir à recuperação e revegetação de áreas degradadas na cidade. O foco do projeto são as áreas públicas municipais, utilizando, para sua execução, recursos humanos existentes na própria Prefeitura, doações e recursos advindos das compensações do licenciamento ambiental.

“Vamos promover, ainda, as ações do dia 20 de março e uma reunião no dia 13, às 9h, com o objetivo de dar mais um passo adiante para resolver as questões que ainda estão pendentes”, disse o vereador.

Superintendência de Comunicação Institucional 

Visita técnica para verificar as condições em que se encontra a Nascente Fundamental do Parque Ciliar do Ribeirão do Onça - Comissão de Meio Ambiente e Política Urbana