Professora Nara fala sobre crise na educação e violência contra a mulher
Vereadora conta como se sentiu voltando à Casa, em março, e sua impressão sobre projetos como o de requalificação do Centro
Foto: Emerson Jacob
"Professora da Quebrada". É com orgulho que a vereadora Professora Nara (Rede) exibe o título informal que ganhou de ex-alunos durante a gravação de um jingle para sua campanha à Câmara Municipal em 2020. Em entrevista ao videocast Câmara em Foco, ela declara que sempre foi uma professora “para além dos muros da escola”, e que isso se reflete em como é enxergada pelas comunidades em que atuou e em seu trabalho diário na CMBH. “Não há possibilidade de mudança se não houver uma educação de qualidade, uma educação inclusiva”, diz. Durante conversa, gravada no Plenário Amintas de Barros, ela fala ainda sobre a crise atual na educação de Belo Horizonte e a dificuldade de diálogo com a Secretaria Municipal de Educação. Além de tratar de sua volta à Câmara após a ida de Cida Falabella para a Secretaria Municipal de Cultura, Nara discorre sobre projetos de sua autoria que tratam da violência contra a mulher e de sua preocupação em relação à proposta de requalificação do Centro enviada à Casa pelo Executivo.
Volta à Câmara
Esta é a segunda vez que Professora Nara assume como vereadora depois de ter ficado como suplente nas eleições. A primeira foi em 2024, na legislatura passada. Desta vez, estava atuando como assessora parlamentar no gabinete da vereadora afastada Cida Falabella, que aceitou o convite do Executivo para cuidar da cultura da capital.
“Antes de mais nada, gostaria de dizer que foi uma decisão muito acertada do Álvaro Damião, porque a Cida pensa coisas incríveis e está em um lugar que é dela”, ressalta. Nara destaca que o período ao lado da parlamentar do Psol foi de intenso aprendizado. “Eu me apropriei do jargão que ela usa: ‘Mulheres velhas podem’”, conta.
Ensino público
Professora Nara trabalhou por mais de três décadas na Escola Municipal Prefeito Souza Lima, localizada no bairro Jardim Vitória, Região Nordeste de BH. Essa experiência, acredita, faz com que seu gabinete seja procurado por pessoas descontentes com os rumos da educação na cidade. Durante a entrevista, ela conta que, munida de algumas dessas reivindicações, foi a uma reunião com a secretária municipal de Educação, Natália Araújo. Apesar de o encontro estar agendado, a secretária não compareceu. Nara postou a frustração em suas redes sociais.
“Sejam quais forem os problemas na educação, sem diálogo não é possível avançar. A falta de conversa mostra que algo de errado não está certo. É preciso que haja essa escuta com quem está na ponta”, afirma Professora Nara.
Entre as reclamações que chegam a seu gabinete estão desde a escassez de profissionais à falta de um plano de trabalho definido. “Eu penso que o ‘não’ já é uma resposta. Mas o que não funciona é não termos resposta nenhuma”, diz.
Requalificação do centro
Outro assunto abordado no bate-papo foi um de seus questionamentos ao prefeito Álvaro Damião, durante a prestação de contas do Executivo na Câmara Municipal, em abril. Salientando que é favorável à medida, ela quis saber sobre o projeto de revitalização do Centro, e pediu explicação sobre as queixas de algumas entidades de que as mudanças beneficiariam apenas as construtoras. O prefeito negou e garantiu que tanto moradores quanto comerciantes serão beneficiados. Para ele, a moradia será estimulada, os prédios voltarão a ser ocupados, vão gerar imposto e a segurança vai aumentar. Professora Nara se mostrou satisfeita com a explicação.
“Eu achei importante e interessante essa fala do prefeito. Mas da mesma maneira que recebemos reivindicações da comunidade escolar, as pessoas vêm até o nosso gabinete com essa preocupação. Então, vamos acompanhar para que os moradores, comerciantes ou trabalhadores da região não sejam expulsos de seus locais de residência e trabalho”, afirma.
Violência contra a mulher
Professora Nara falou sobre três projetos apresentados este ano, juntamente com outras vereadoras, que tratam da violência contra a mulher, e por que esse acabou se tornando um dos focos de seu mandato. “Esse aumento da violência contra as mulheres tem nos deixado estarrecidos”, fala. O PL 741/2026 garante prioridade às vítimas de violência doméstica aos procedimentos administrativos do Município, e o PL 742/2026 institui o Dia de Luto e de Memória às Mulheres Vítimas de Feminicídio.
Já o PL 779/2026 cria em BH o Programa de Reconstrução Dentária para Mulheres Vítimas de Violência. Entre suas diretrizes está a restauração da dignidade e da autoestima da mulher vítima de violência doméstica.
“É claro que a nossa intenção é que não exista essa violência contra a mulher. Quem sabe um dia possamos continuar com projetos como esse, mas para aquelas mulheres que precisem, não necessariamente em função de violência doméstica. Está muito triste vermos casos em que as mulheres são vítimas aumentando de forma galopante”, conta a vereadora.
Instituto da Quebrada
Para além de seu trabalho na CMBH, Professora Nara conta como surgiu a ideia do Instituto da Quebrada, criado em 2022 e atualmente na Pousada Santo Antônio. “Eu quis devolver à comunidade tudo que ela havia me dado. Conversando com um ex-aluno, resolvemos criar o instituto”, lembra.
Ali são realizados atendimentos psicológicos e aulas de hidroginástica, capoeira e balé, além de reforço escolar para a garotada e cursos, a exemplo de cuidador de idosos e porteiro, para os mais velhos. O instituto também funciona como um espaço de simples convivência. “A ideia é que seja um local para todo mundo, no qual as pessoas possam fazer uma reunião, jogar truco e comer um pezinho de galinha”, diz Professora Nara.
Superintendência de Comunicação Institucional


