Você sabia que a sede da CMBH quase foi construída dentro do Parque Municipal?

A construção do Parque Municipal Américo Renné Giannetti foi concluída antes mesmo da inauguração da cidade. Em 26 de setembro de 1897, o espaço foi entregue à população com um tamanho três vezes maior do que ocupa atualmente.

Projetado para ser um parque de referência no país, a decisão pela construção do espaço passava pela influência de ideais republicanos: a nova capital deveria contar com espaços verdes e de lazer em que a população, com hábitos “civilizados”, poderia realizar passeios e práticas esportivas. Nesse sentido, o Parque Municipal passou a ser visto como patrimônio importante de Belo Horizonte: como refúgio verde em uma cidade que se tornou cada vez mais cinza a partir da urbanização.

 

Após sucessivas reduções de seu território — destinadas à construção de hospitais e equipamentos culturais —, surgiu, em 1960, uma nova proposta de ocupação: a construção de uma sede para a Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) dentro da área do parque. A casa legislativa municipal ocupava, desde a sua fundação, o prédio construído em 1914 para abrigar o Conselho Deliberativo. Situado na esquina da rua da Bahia com a avenida Augusto de Lima, o edifício possui um estilo arquitetônico eclético com influências do neo-gótico. Apesar da beleza arquitetônica, no início dos anos 1960, o edifício sofria com alguns problemas estruturais e o seu espaço já não comportava todo o trabalho realizado por vereadores(as) e funcionários(as). No prédio, só havia espaço para um plenário e apenas o presidente da casa legislativa possuía gabinete. Além disso, também funcionava no mesmo local a Biblioteca Pública Municipal.

 

Diante desse cenário, vereadores e vereadoras passaram a debater a possibilidade de construir uma nova sede que fosse mais espaçosa e projetada especificamente para abrigar a CMBH. Entre as possibilidades que foram levantadas, a que mais agradou as autoridades foi a de construir em uma área dentro do Parque Municipal. O projeto envolvia diferentes negociações: a CMBH iria vender seu o antigo espaço para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG); e, com a verba arrecadada pela venda, iria construir a nova sede em um local a ser cedido pela Prefeitura de Belo Horizonte (imagem 2). A proposta implicaria, contudo, consequências significativas: a demolição do antigo prédio do Conselho Deliberativo e a redução adicional da área do Parque Municipal.

 

Registros fotográficos da época documentam a visita do então prefeito Amintas de Barros e de membros da Mesa Diretora da CMBH ao local previsto para a construção (imagem 1). A repercussão foi imediata. Em 11 de fevereiro de 1960, o jornal Diário da Tarde estampava a manchete: “Vereadores de mudança para o Parque”. Ao mesmo tempo, a proposta gerou forte reação da sociedade, com mobilização popular contrária à cessão de parte do parque. Diante da repercussão negativa, o projeto foi abandonado. A Câmara Municipal permaneceu no edifício da Rua da Bahia até 1973. A construção de uma nova sede só se concretizaria décadas depois, em 1988, com a inauguração do atual prédio na Avenida dos Andradas.

Imagem 1: Reunião entre o Prefeito Amintas de Barros e os vereadores José Veiga Martins, João de Paulo Pires e Geraldo Pereira, ocorrida em 10/02/1960, para definir o local de construção da sede da CMBH no Parque Municipal. Fonte: APCBH/ASCOM.

Imagem 2: Notícia veiculada no Diário da Tarde em 10/02/1960. Fonte: Hemeroteca Pública Estadual de Minas Gerais.

Imagem 3: Notícia veiculada no Diário da Tarde em 11/02/1960. Fonte: Hemeroteca Pública Estadual de Minas Gerais.