BALANÇO DO CARNAVAL

Organizadores e foliões parabenizam ações e comemoram sucesso da festa

Apesar do crescimento do público, número de falhas e incidentes diminuiu em 2019; alguns problemas pontuais foram apontados

segunda-feira, 25 Março, 2019 - 20:30
Audiência pública da Comissão de Meio Ambiente e Política Urbana, em 25 de março de 2019
Foto: Abraão Bruck/CMBH

Encerrado oficialmente no dia 10 de março, no domingo seguinte à quarta-feira de Cinzas, o Carnaval 2019 foi avaliado e debatido em audiência pública da Comissão de Meio Ambiente e Política Urbana nesta segunda-feira (25/3). A integração entre os diversos órgãos envolvidos na organização e no monitoramento do evento foi apontada por todos os participantes como o principal motivo da redução dos transtornos observados em anos anteriores. Representantes do poder público, blocos caricatos e bloquinhos de rua celebraram o crescimento do público e o bom andamento da festa, que se espalhou pela cidade desde o dia 16 de fevereiro, e apontaram algumas falhas e pontos a serem melhorados, especialmente em relação à mobilidade e à colocação de banheiros químicos.

Na abertura da reunião, o requerente da audiência, Léo Burguês de Castro (PSL), apresentou os números oficiais do Carnaval 2019, que recebeu cerca de 4,3 milhões de foliões, entre belo-horizontinos e turistas, para curtir os 410 blocos de rua, além dos desfiles de oito escolas de samba e 11 blocos caricatos, que fazem parte da tradição cultural de Belo Horizonte. Nos oito palcos oficiais instalados pela Prefeitura em cinco regionais da cidade, foram apresentadas mais de 60 atrações. De acordo com o vereador, o evento trouxe ótimos resultados: “Nós tivemos o maior carnaval da história dessa cidade; e no ano que vem, provavelmente, bateremos um novo recorde”, celebrou o líder de Governo.

Léo Burguês salientou que o crescimento do carnaval de BH, especialmente dos blocos de rua, aconteceu de forma espontânea, por iniciativa da própria população. E a cidade, que ficava vazia e silenciosa no feriado de carnaval, hoje é referência nacional e atrai milhares de turistas, aquecendo setores da economia como hotéis, bares e restaurantes. Segundo o parlamentar, cabe aos órgãos públicos apenas proteger, organizar e limpar, e com a experiência, esses serviços vêm sendo aperfeiçoados a cada ano, na busca de minimizar os problemas relativos à mobilidade, à segurança e ao conforto dos foliões e também dos que não podem ou não querem participar da festa.

A avaliação final do evento, no entanto, foi bastante positiva; pesquisas feitas pela PBH apontam que a festa atendeu ou mesmo superou as expectativas da maioria dos visitantes (79,6%) e moradores (80,2%); organizadores e integrantes de blocos também parabenizaram a atuação do poder público e se declararam satisfeitos com a experiência vivida.

Integração possibilitou avanços

O diretor de Eventos da Belotur, Gilberto Castro, afirmou que o aperfeiçoamento dos serviços e a significativa redução de problemas e falhas observados em anos anteriores só foi possível devido à integração das ações e da melhoria da comunicação entre os órgãos envolvidos, que incluiu o monitoramento da festa por meio do Centro de Operações da Prefeitura (COP), garantindo mais segurança, mobilidade e conforto para os foliões e a população em geral. O gestor ressaltou ainda a descentralização dos blocos, que ofereceram uma programação para todos os tipos de público, em todas as regionais da cidade, reduzindo os problemas gerados pela concentração exagerada no Centro e Região Centro-Sul. Segundo ele, negociações e acordos feitos com antecedência minimizaram os impactos sobre moradores, além da redução a quase zero da utilização de garrafas de vidro, melhorando a segurança de todos.

Com relação à mobilidade, a representante da BHTrans salientou que muitas pessoas trabalham ou precisam se deslocar pela cidade durante o período, e que a integração entre os órgãos possibilitou um monitoramento mais eficiente para conciliar a festa com o funcionamento da cidade. No entanto, foram apontados problemas pontuais como a mudança de pontos de ônibus, sinalização insuficiente dos desvios e inadequação de horários de interdição das vias, que em alguns casos não foram devidamente sincronizados com os desfiles. Deusuíte de Assis explicou que o trajeto e os horários dos blocos de rua são definidos previamente, porém nem sempre são cumpridos com precisão.

Comércio e cultura

Questões referentes ao comércio durante o período foram levantadas por representantes de entidades como a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-BH), Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e Associação de Comerciantes da Avenida Bandeirantes. Bares e restaurantes comemoraram o aumento do movimento e das vendas, mas solicitaram maior divulgação dos locais e horários dos bloquinhos; a Belotur informou que a programação foi disponibilizada em seu portal. Os demais lojistas reclamaram da lei municipal que os impede de abrir durante o feriado. Léo Burguês garantiu que a revisão dessa proibição já está sendo estudada pela Prefeitura.

O reconhecimento do carnaval como vocação e fator de projeção da cidade foi defendido por todos, especialmente pelos integrantes de blocos caricatos, que reconstituíram a história, a tradição e o pioneirismo dessa manifestação cultural na cidade e pediram mais apoio da Prefeitura. O representante da Secretaria Municipal de Cultura anunciou que o reconhecimento desses blocos como Patrimônio Imaterial da cidade já foi aprovado pelo Conselho de Patrimônio e que o processo, que demanda a realização de pesquisas e apurações cuidadosas, já foi iniciado pelo Município. O representante da pasta afirmou ainda que, com a incorporação dos blocos de rua, o carnaval vem se consolidando e conferindo uma nova identidade cultural à cidade, já sendo considerado um dos melhores do Brasil.

As Secretarias de Fiscalização, de Saúde e de Política Urbana relataram as ações dos respectivos órgãos e também constataram os avanços e o aperfeiçoamento do evento, decorrentes da experiência adquirida a cada ano.

Segurança e limpeza

A Guarda Civil Municipal e o Corpo de Bombeiros apontaram a redução de ocorrências em 2019. Segundo eles, a atuação dos órgãos de segurança sofreu alterações para se adaptar às particularidades do evento e do público. A adequação incluiu a forma de abordar e interagir com organizadores e participantes de blocos e as normas e condições exigidas em situações “normais”. A maior tranquilidade e o menor número de acidentes também foram atribuídos à eficácia do monitoramento, com maior integração e comunicação entre os envolvidos.

A atuação da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) foi bastante elogiada por todos os participantes. Apesar de lamentar as 2.700 toneladas de lixo deixado nas ruas, cuja redução só será possível por meio da reflexão e da conscientização da população, o representante da empresa destacou a contratação de 130 catadores e o recolhimento de 44 toneladas de materiais recicláveis, que deverão aumentar nas próximas edições.

Os transtornos mais citados durante a reunião foram com relação aos banheiros químicos, alvos de reclamações como o número insuficiente e a localização inadequada. Os foliões solicitaram uma melhor distribuição dos equipamentos no trajeto dos desfiles, em vez de sua concentração nos pontos de saída e chegada dos blocos.

Perspectivas para 2020

Ao final das manifestações de todos os componentes da Mesa e pessoas presentes na plateia, que se inscreveram para falar, Léo Burguês parabenizou todos os envolvidos na organização e realização dessa grande festa popular, que, segundo ele, crescerá ainda mais e atrairá ainda mais público em 2020. O vereador destacou que a expertise que a cidade vem adquirindo a cada ano possibilitará aperfeiçoamentos em todos os aspectos e a superação das falhas observadas.

Assista ao vídeo da reunião na íntegra.

Superintendência de Comunicação Institucional

Audiência pública para avaliar todos os impactos e resultados do Carnaval de Belo Horizonte - 6ª Reunião OrdináriaComissão de Meio Ambiente e Política Urbana