CARNAVAL 2019

Planejamento logístico e de segurança do evento são apresentados em audiência

Belotur, BHtrans, SLU, Fiscalização e Corpo de Bombeiros expuseram planos de ação; vereadores e cidadãos apresentaram demandas

segunda-feira, 18 Fevereiro, 2019 - 20:45
Comissão de Meio Ambiente e Política Urbana debate perspectivas para o Carnaval 2019, em 18 de fevereiro de 2019
Foto: Abraão Bruck/CMBH

Uma das maiores festas populares do país, que atrai um número maior de moradores e turistas a cada ano, o Carnaval de BH exige um complexo trabalho de organização e monitoramento por parte do poder público para minimizar riscos e transtornos, garantindo o sucesso da festa e a integridade dos foliões e da cidade como um todo. Na tarde desta segunda-feira (18/2), a Comissão de Meio Ambiente e Política Urbana recebeu representantes de diversos órgãos envolvidos para expor seus planos de ação, que vêm sendo apresentados e negociados antecipadamente com os organizadores. O requerente da audiência, Léo Burguês de Castro (PSL), anunciou a realização de um novo encontro depois do evento, a fim de avaliar os resultados e propor eventuais ajustes.

Burguês de Castro fez um breve retrospecto do carnaval de Belo Horizonte, caracterizado por bailes em clubes privados e os desfiles dos poucos blocos caricatos e escolas de samba tradicionais, numa programação tímida e sem o devido suporte do poder público. Dessa forma, a maioria dos belo-horizontinos buscava as cidades do interior e outras capitais reconhecidas pela abrangência e qualidade da folia. De alguns anos para cá, no entanto, o surgimento espontâneo e o crescimento intenso dos blocos de rua, de diferentes tamanhos e inspirações, tomou conta do Centro, das avenidas e praças em diversos bairros da capital, atraindo milhões de moradores e turistas.

Segundo o parlamentar, essa explosão do Carnaval de BH traz notoriedade, investimentos e geração de renda para a cidade, favorecendo setores do comércio e dos serviços, mas exige uma grande responsabilidade de todos os órgãos envolvidos na organização e no acompanhamento da festa, de forma a garantir uma diversão segura sem prejuízo do patrimônio e do funcionamento da cidade.

Mobilidade e conforto

Neste ano, de acordo com o presidente da Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte S/A (Belotur), Gilberto de Castro (foto), é estimada a presença de quase 5 milhões de pessoas nas ruas da cidade, e a preparação e execução da festa já vem mobilizando cerca de 40 órgãos e entidades, envolvidos de forma articulada na organização e no planejamento dos aspectos logísticos, da mobilidade e da segurança durante o evento. Segundo o gestor, os eventos previstos para a edição 2019 da festa, entre os dias 16 de fevereiro e 10 de março, contarão com o patrocínio de 12,8 milhões da iniciativa privada, oferecendo oito palcos fixos para shows, no centro e nas regionais, programação para crianças, encontro de blocos afro e um maior número de escolas de samba e blocos caricatos, possibilitado pelo aumento da subvenção do Município.  

Principais atrações da festa, estão previstos 600 desfiles dos 515 blocos de rua cadastrados, cuja concentração, trajeto e dispersão vêm sendo analisados individualmente e negociados em inúmeras reuniões pontuais, envolvendo ainda BHTrans, Corpo de Bombeiros, Guarda Civil Municipal e as Polícias Civil e Militar. A maioria dos blocos se concentra nas regiões Centro-sul (36%), Leste (17%) e Noroeste (14%) da cidade, porém foi registrado um aumento do número de desfiles nas outras regionais, cujo planejamento busca preservar a mobilidade necessária aos serviços públicos e aos moradores. A colocação de 6,2 mil banheiros químicos fixos e 3,6 mil móveis em 55 pontos da cidade também vem sendo cuidadosamente planejada, levando em conta a quantidade de público esperada, e a facilidade de acesso e deslocamento das unidades.  As alterações no trânsito e na localização dos pontos de ônibus serão comunicadas antecipadamente aos usuários, evitando surpresas. Trinta e cinco coletivos – os “foliônibus” - estarão circulando na Avenida do Contorno para atender os foliões.

Segurança e limpeza urbana

De acordo com os representantes do Corpo de Bombeiros Militar, Capitão Heitor Mendonça e Major Edson Ramos, haverá postos de atendimento médico, viaturas do SAMU e ambulâncias contratadas próximos à maiores concentrações de público, com garantia de faixas de circulação liberadas para acesso aos hospitais em casos de emergência. Além dos Bombeiros Militares, a segurança dos foliões também será monitorada por agentes da Guarda Municipal, Polícia Militar e Polícia Civil, que disponibilizarão carretas, vans, motocicletas e viaturas de apoio, articulados com os demais órgãos envolvidos por meio do Centro de Operações (COP).  Em 2019, será dobrado o número de equipes volantes em operação.  

Os participantes declararam a articulação que vem sendo feita entre todos os envolvidos para garantir a prevenção de incidentes e transtornos, coibindo a ocorrência de desfiles e eventos em áreas de alagamento, viadutos, túneis e áreas gradeadas, que dificultam a dispersão ágil e segura em caso de necessidade; nas vias de acesso e nas proximidades de hospitais; na vistoria de cabeamentos e instalações de trios elétricos; na substituição de recipientes de vidro por latas e plásticos; e na definição de rotas de emergência.

Deusuíte Pereira, da BHTrans, relatou os esforços do órgão para conciliar a festa e a preservação da mobilidade urbana na cidade, e a parceria feita com a CBTU, que ampliará o horário de funcionamento do metrô. Ela afirmou que as interdições de ruas, desvios e alterações de trânsito e outras informações úteis estarão disponíveis em faixas, plataformas digitais e aplicativos com a necessária antecedência. Pedro Assis Neto, da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU), informou que este ano o serviço contará com a colaboração de 1250 garis e 130 catadores de materiais recicláveis, vinculados às cooperativas cadastradas, promovendo a geração de emprego e renda, e que os serviços de varrição e coleta de lixo serão realizados normalmente durante o período.

Questionamentos

A palavra foi aberta para a plateia da audiência, que apresentou alguns questionamentos aos participantes. Elogiando a programação associada ao evento, promovida por entes privados, como bares e restaurantes, a Belotur explicou os critérios para sua autorização. Respondendo ao questionamento do representante dos comerciantes da Savassi, Ivan Carlos, o subsecretário de Fiscalização, José Mauro Gomes, garantiu que a atuação de ambulantes não cadastrados ou em locais e horários não autorizados será coibida por equipes volantes de fiscais integrados da Prefeitura e agentes de campo, identificados por coletes pretos e azuis, respectivamente.

Um dos organizadores do Bloco dos Pescadores, Antônio Galvão, apontou problemas na localização de banheiros e de ambulantes durante os desfiles e solicitou a implantação de um instrumento para comunicação imediata de intercorrências aos órgãos responsáveis. Pedindo a palavra, os cidadãos Carlos Damasceno, Gilberto e Andréia solicitaram maior suporte dos órgãos de segurança na hora da saída do público nos desfiles de blocos caricatos e escolas de samba. O pároco da Igreja N. S. do Carmo, Frei Miguel Guzzo, pediu atenção das autoridades e donos de bares para coibir o barulho e a baderna causados pela permanência de foliões na rua até a madrugada.  

Avaliação dos resultados

Integrante da comissão, o vereador Preto (DEM) elogiou a competência e a dedicação dos órgãos envolvidos na organização e planejamento e reforçou o papel e a participação da Câmara Municipal no fortalecimento e aprimoramento da festa, que pode ser considerada hoje como a mais bonita do Brasil. Gilson Reis (PCdoB), salientou o caráter de luta e resistência do Carnaval de BH, especialmente em tempos de retrocessos políticos e tragédias ambientais vividas pelo país. Jair Di Gregório (PP) pediu que os locais e horários de cultos nos templos e igrejas da cidade sejam respeitados pelos blocos de rua, e Flávio dos Santos (Pode) solicitou a abertura dos restaurantes populares durante o período de Carnaval.

O presidente da Belotur anunciou a criação do Laboratório de Experimentação, no qual empreendedores e startups poderão apresentar soluções inovadoras para o planejamento e a logística do evento, que resultarão em premiações e no aumento da participação da sociedade civil. Antes de encerrar o encontro, Léo Burguês de Castro anunciou a realização de uma nova audiência depois do carnaval, para avaliar os pontos fortes e fracos e sugerir eventuais ajustes.

Assista ao vídeo da reunião na íntegra.

Superintendência de Comunicação Institucional

Audiência pública para apresentar cronograma, organização e estruturas de segurança do Carnaval de Belo Horizonte 2019 - 2ª Reunião Ordinária - Comissão de Meio Ambiente e Política Urbana