AUDIÊNCIA PÚBLICA

Câmara vai discutir as dificuldades do resgate de animais no Arrudas

Socorro não chega para cães e gatos que caem ou são arremessados intencionalmente no canal

quinta-feira, 14 Agosto, 2014 - 00:00
Socorro não chega para cães e gatos que caem ou são arremessados intencionalmente no canal

Socorro não chega para cães e gatos que caem ou são arremessados intencionalmente no canal

O descaso do poder público com o resgate de cães e gatos que são jogados ou caem no Ribeirão Arrudas será assunto de audiência pública na Câmara Municipal de Belo Horizonte na próxima terça-feira (19/8), às 9h, no Plenário Amynthas de Barros. Entidades protetoras relatam a demora ou até mesmo a recusa do Corpo de Bombeiros de socorrer os animais, e a falta de uma política municipal de acolhimento de bichos abandonados. A reunião será realizada pela Comissão de Saúde e Saneamento.

Em três anos de militância na proteção de animais, o advogado e professor universitário Carlos Brandão já atendeu voluntariamente vários casos de resgate de cães e gatos em diversos pontos do Ribeirão Arrudas, nos bairros Santa Efigênia, Pompeia, Esplanada, Nova Cintra e Salgado Filho. Testemunhas relatam que os bichos são jogados no curso d’água e, em outros casos, acessam o canal livremente por meio da rede de esgoto ou trechos não protegidos por grades ou muretas. Os animais se machucam na queda, mas sobrevivem. Dentro do canal, eles estão condenados à morte: passam fome, bebem água contaminada e ficam doentes.  

Quando acionado para fazer o resgate, o Corpo de Bombeiros nem sempre atende às solicitações.  O protetor conta que o salvamento de animais não tem sido uma prioridade da corporação, ainda mais quando se trata cães e gatos de rua. Sem alternativas, voluntários se arriscam para acessar o curso d’água, por meio de escadas improvisadas e até rapel, sem equipamentos de proteção como luvas, calçados e roupas especiais. E as dificuldades não param por aí: dentro do canal, o animal assustado acaba fugindo ou mesmo atacando os protetores. Foi o que aconteceu com Brandão no último dia 20 de julho, quando foi mordido ao salvar um cachorro no Arrudas.

O protetor explica que o problema é ainda mais abrangente: se resgatado, o animal precisa de cuidados veterinários e de abrigo, mas o Centro de Gerenciamento de Zoonozes do Município não tem uma política de recolhimento desses bichos, que continuam nas ruas. Ele também sente falta de campanhas educativas e de sensibilização da sociedade, por parte da Prefeitura, que realmente tragam resultados.

Na audiência na Câmara, entidades protetoras dos animais querem cobrar mais atenção do Corpo de Bombeiros, no atendimento das ocorrências, e da Prefeitura, na vedação de acessos ao canal e no acolhimento de animais abandonados.

São esperados para o debate representantes das secretarias municipais de Meio Ambiente, de Assuntos Institucionaisede Saúde (Centro de Gerenciamento de Zoonoses),Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Sociedade Mineira Protetora dos Animais, Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais (Frente Parlamentar de Defesa Animal) e Grupo de Proteção Corrente do Bem pelos Animais.

Superintendência de Comunicação Institucional