POLO DA MODA

Audiência discute impactos do setor instalado no Prado

Donos de confecções com sede no bairro reclamam das dificuldades de conseguir alvará em área residencial. Profissionais do setor solicitam alterações na legislação em vigor que permitam a consolidação de um Polo da Moda na região Oeste da Capital. Moradores questionam os impactos no trânsito, no acesso às residências e na segurança do bairro em função do crescimento desordenado do setor.

quinta-feira, 22 Dezembro, 2011 - 00:00

Em reunião ordinária, realizada nesta quinta-feira (22/12), a Comissão de Meio Ambiente e Política Urbana recebeu confeccionistas, sindicatos do setor da moda, representantes da Federação das Indústrias (FIEMG), Prefeitura de Belo Horizonte e moradores do bairro Prado para audiência pública que discutiu a instituição e regularização do “Polo da Moda” na região Oeste da Capital em seus aspectos urbanísticos. Solicitada pelo vereador Leonardo Mattos (PV), a audiência buscou ponderar a importância econômica da indústria da moda em Belo Horizonte e os impactos sociais, principalmente, na alteração do perfil residencial do bairro Prado, onde já se concentram cerca de 220 confecções.

O vereador destaca a relevância econômica do setor da moda em Belo Horizonte e a importância de se valorizar e incentivar a produção local, principalmente a pequena e média empresa, em detrimento da importação. No entanto, pondera a importância da preservação da qualidade de vida dos moradores da região. Diante do impasse, Leonardo Mattos destacou a importância do diálogo produtivo, uma vez que “temos um projeto de lei tramitando na Casa, e não quero que ele seja aprovado sem representar de fato os interesses da população”, afirma o vereador, referindo-se ao PL 1907/11, de sua autoria, que propõe a criação da ADE Polo da Moda.

Os donos das confecções que atuam na região, tradicionalmente residencial, pedem, com a criação da ADE, a instituição de diretrizes especiais para que o bairro Prado possa se adequar ao desenvolvimento da indústria da moda, facilitando a concessão de alvarás. Os profissionais do setor explicam que estão tendo dificuldades para conseguir alvará de funcionamento junto à Prefeitura em função da Lei de Uso e Ocupação do Solo (lei nº 7166/96). De acordo com a legislação em vigor, não é autorizado o funcionamento de confecções que ocupem áreas acima de 360m² em vias locais de bairro residenciais (ruas com largura de até 10m). No entanto, os industriais argumentam que é necessário um espaço mínimo de 500m² para o desenvolvimento da atividade, que já estaria estabelecida no bairro e não ofereceria desgastes aos moradores, pelo contrário, afirmam que as confecções no local geram a valorização dos imóveis, emprego e renda para milhares de pessoas.

Crescimento desordenado

Os moradores questionam o desenvolvimento irregular do setor ao lado de suas casas, pontuando diferentes impactos negativos desse caráter misto existente no bairro. De acordo com eles, o grande fluxo de veículos nas ruas do bairro dificulta o acesso dos moradores às garagens de suas casas, ocupa as vagas em frente às residências, atrapalha o deslocamento dos ônibus e a travessia dos idosos. Outro aspecto apontado foi a falta de segurança no bairro decorrente da ocupação exclusivamente diurna pelas confecções. Após o horário comercial, o movimento nas ruas ficaria extremamente reduzido, facilitando a ação de bandidos. Ainda destacaram a especulação imobiliária que teria provocado a saída de muitos moradores do bairro e aumentado o valor dos aluguéis. “A gente não quer combater as confecções já estabelecidas, mas parar, imediatamente, o crescimento desordenado. O Prado tem um caráter essencialmente residencial e, assim, queremos preservá-lo”, afirma Guilherme Neves, morador do bairro e presidente da associação SOS Bairros.

A Prefeitura explica que algumas ruas do bairro, inicialmente consideradas vias locais, tiveram seus perfis alterados, por seu histórico de ocupação não residencial já consolidada, permitindo a ocupação mista. A Secretaria de Desenvolvimento Econômico afirma que reconhece o potencial econômico da indústria da moda e a importância do setor para a região, no entanto, pondera que só há desenvolvimento com ordenação.

Também participaram da reunião os vereadores Preto (DEM), Elaine Matozinhos (PTB) e Tarcísio Caixeta (PT).

Superintendência de Comunicação Institucional