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Integração plena entre forças de segurança é desafio para combate ao crime

Assunto: 
SEGURANÇA PÚBLICA
parlamentares e participantes presentes em audiência pública na câmara municipal de bh
Foto: Rafaella Ribeiro/CMBH

Um dos principais "atrativos" de Minas Gerais para as grandes organizações criminosas, além de novos mercados, está na posição geográfica estratégica para rotas de tráfico. Especialistas que participaram de audiência pública realizada na manhã desta segunda (23/2) pela Comissão de Administração Pública e Segurança Pública ressaltaram a necessidade de aumentar a integração entre as instituições de segurança e adotar ações de inteligência para bloquear o núcleo financeiro dessas organizações. Solicitada por Sargento Jalyson (PL), a audiência reuniu representantes do Ministério Público, da Polícia Civil (PCMG), da Polícia Militar (PMMG) e parlamentares. Os participantes também alertaram para a demora na destinação de recursos recuperados em ações contra a lavagem de dinheiro para as forças de segurança.

Sargento Jalyson relatou que vem acompanhando diversos fóruns de segurança pública, além de especialistas e estudiosos do tema. Ele citou como exemplo de combate ao crime de lavagem de dinheiro a operação Custos Fidelis, deflagrada em setembro de 2025 pelo Ministério Público de Minas Gerais e Polícia Militar, com o apoio da Polícia Civil e do Grupo Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Amazonas. O alvo foi uma organização criminosa do município de Teófilo Otoni afiliada ao Comando Vermelho (CV). Foram cumpridos 83 ordens de bloqueios no valor de R$ 223,5 milhões em contas bancárias e criptoativos, totalizando mais de R$ 18 bilhões. 

Golpes duros

Giovani Avelar Vieira, promotor de Justiça e coordenador do Gaeco, explicou que a operação Custo Fidelis e outras ações de inteligência demandam paciência e tempo para atingir o alvo. 

“Não foi uma investigação rápida; foi preciso entender as engrenagens da facção, o rastro do dinheiro, os métodos de pagamento”, disse o promotor de Justiça.

Giovani sugeriu que parte do recurso recuperado do tráfico e das facções, por meio da Lei de Lavagem, seja revertido ao Ministério Público. Segundo ele, em São Paulo, 30% desses recursos são revertidos ao Ministério Público. “Não vejo outro caminho a não ser a integração”, disse o promotor, que anunciou ainda para este semestre operações de "grande porte" em BH. “Pretendemos dar golpes duros no crime organizado”, disse ele.

Integração institucional

Álvaro Romero dos Santos, delegado da Polícia Civil e titular do Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp), falou da importância de institucionalizar a integração entre os órgãos de segurança, uma vez que as ações atuais ainda são "frágeis", pois se baseiam, em sua maioria, em relacionamentos interpessoais. 

“Modificações de titulares de pastas podem acabar com trabalhos que vêm sendo desenvolvidos há muito tempo”, alertou o delegado da Polícia Civil.

Álvaro apontou que a localização de Minas Gerais, em divisa com estados como Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo, que têm problemas "muito mais sérios" de segurança, oferece riscos. Ele reforçou que o combate ao financiamento dos grupos criminosos é a forma mais eficiente de enfraquecer as organizações criminosas. “Se você prende um criminoso e ele sai da cadeia depois de alguns anos com cinco milhões no bolso, ele sai grande”. 

Redes descentralizadas

Para o policial militar Alan Fabiano o “tecido criminal” é mais ágil e flexível que as forças de segurança pública, e explicou a "atuação em rede" das facções criminosas. “É um modelo fluido que chamamos de articulação criminosa baseado em redes descentralizadas”. São alianças de grandes organizações nacionais, como Primeiro Comando da Capital (PCC) ou CV que se unem a grupos menores regionais em alianças pontuais e, após atingido o objetivo, a aliança se desfaz. “Esse modelo é visto nos 27 estados da federação”, completou o especialista.

Essas redes com vínculo provisório são mais difíceis de serem detectadas pelas forças de segurança. A estrutura de inteligência integrada da segurança pública é que permite mitigar a atuação das facções criminosas. Embora essas facções não dominem territórios em BH ou em Minas , os participantes concordaram que “não é hora de comemorar”, mas de buscar soluções rápidas frente ao avanço dessas organizações criminosas.

Mudanças na legislação

O Subtenente Gonzaga, ex-presidente da Associação dos Praças Policiais e dos Bombeiros Militares de Minas Gerais, e ex-deputado federal por Minas Gerais, defendeu mudanças na legislação para permitir mais eficácia e eficiência no combate ao crime. Ele citou o PL 2.310/2022, de sua autoria juntamente com Guilherme Derrite (PL-SP), que visa reconhecer e permitir o aproveitamento de informações necessárias à prevenção da criminalidade e violência. 

Representando o Comando da Polícia Militar, o Tenente Coronel Jésus disse que a PM criou um comitê integrado para tratar o crime organizado. Segundo ele, os eixos de atuação da Polícia Militar englobam três eixos: territórios, autores e atividades econômicas. Sobre resultados, ressaltou a inexistência do controle territorial em Minas Gerais por parte das facções.  

Encaminhamentos

Sobre a destinação dos valores relacionados à lavagem de dinheiro proveniente da prática de crimes, Sargento Jalyson afirmou que fará uma indicação ao Governo de Minas visando ajustes no Decreto 48892/ 2024, que dispõe sobre direitos e valores relacionados, direta ou indiretamente, à prática desses crimes. O parlamentar também afirmou que vai verificar a possibilidade da Guarda Municipal ser integrada ao Sistema Reds (Registro de Eventos de Defesa Social), base de dados única da Polícia Militar, Civil e Bombeiros.

Superintendência de Comunicação Institucional

 debater sobre a atuação das forças de segurança pública no combate ao crime organizado no município de Belo Horizonte

Data publicação: 
segunda-feira, 23 Fevereiro, 2026 - 18:15
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